AS VIÚVAS DA EXPEDIÇÃO CALLERI AMAZONAS 1968: EXPEDIÇÃO CALLERE

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História

AS VIÚVAS DA EXPEDIÇÃO CALLERI AMAZONAS 1968: EXPEDIÇÃO CALLERE

Marieny Matos Nascimento

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AS VIÚVAS DA EXPEDIÇÃO CALLERI AMAZONAS, 1968.
A expedição foi massacrada na manhã do dia 1º de novembro de 1968, num ataque comandado pelo mateiro Paulo Mineiro, que morreu em 1981.

Teve consigo alguns brancos, os Waimiri-Atroari, e também índios wai-wai, acantonados nas proximidades da maloca.

Sabatini sustenta que a operação foi concebida e coordenada, no local, por Claude Lewitt, um pastor americano da Missão Evangélica da Amazônia, a MEVA.

Esse aventureiro reapareceu tempos depois, pedindo pousada numa aldeia wai-wai, e foi devolvido ao mato.

Índios que conviveram com ele asseguram que seu interesse pelo garimpo era muito maior que sua fé evangelizadora.
Muitos dos que vivenciaram direta ou indiretamente as consequências do massacre da Expedição Calleri como parte da sociedade manauara da época ou membros da família dos mortos lembra-se dos aviões e helicópteros da FAB que sobrevoavam acidade exibindo as embalagens com os pedaços de corpos, dos fragmentos de objetos da Expedição.

Eram provas inquestionáveis do crime contra a Igreja, contra a civilização, contra o progresso, contra um modelo político recentemente estabelecido que se fortificava; era uma transgressão histórica que não podia ser concretizada pelos indígenas, os “inferiores”.

A multidão em catarse dentro e fora da Catedral Metropolitana de Manaus amontoava-se para assistir a missa de corpo presente pelas vítimas dos Waimiri-Atroari que não se autodenominavam dessa maneira, uma longa e silenciosa fila centenas de pessoas desfilaram diante dos nove ataúdes colocados sobre uma plataforma no centro da nave da igreja, entre seis velas acesas.
Em seu sermão o Arcebispo Dom João de Souza Lima referiu-se aos expedicionários como mártires da nova história do Amazonas.

Relembrou a epopéia da construção da ferrovia PORTO VELHO-Guajará-mirim “onde cada dormente representa o sacrifício de uma vida”.

Lembrou um massacre semelhante em que foi vítima um dos engenheiros da Belém-Brasília, e disse que o sangue desses heróis não foi derramado em vão.
Em memória da expedição Calleri, que este ano completa 50 anos, ao povo Waimiri que morreu nesta época tão nebulosa, a minha mãe Maria de Nazaré e as viúvas dona Sebastiana e dona Rosário, mulheres que foram além do suportável e da dor, para sobreviver por suas famílias, para meu pai Manuel Nascimento Filho.

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