Literatura e ficção

O virtuose do virtual: contos e poemas

Mario donLeal

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Resumo do livro 🤔

Logo abaixo disponibilizamos um breve resumo do livro O virtuose do virtual: contos e poemas para que você tenha uma idéia do assunto do qual ele trata. Se rolar a página você terá a oportunidade de fazer a leitura online.

Algum leitor, dessas duas histórias e dos dez poemas que compõem o livro ‘O virtuose do virtual’, poderá concluir, no final, que existe um sentido bem resolvido.

No entanto, a memória de algumas passagens colocará em dúvida a solução.

Assim, por um lado, cada obra, isolada e vista em si mesma, produz um efeito de mudança indefinida de sentidos, com uma sutil fusão de formas.

Por outro lado, no todo do livro, um fio poético e narrativo interliga: a) o conto que dá título ao livro, ‘O virtuose do virtual’, com b) o poema que fecha o livro, ‘Goethestrela’, dando a impressão de que c) um sentido e uma resposta finais foram alcançados.

Os dois protagonistas dos dois contos, por exemplo, não são exatamente aquilo que eles dizem ser, muitas perguntas ficam sem resposta, eles tanto podem ser geniais quanto completos maníacos, tanto um Goethe quanto um Fausto.

Mas, o leitor que tire na leitura as suas impressões.

Falemos, aqui, somente sobre o conto-título, ‘O virtuose do virtual’, pois, para o fio condutor que reuniu essas obras num livro só, ele contém o principal ingrediente: o conflito entre o ser objetivo e o ser subjetivo.



Um homem, Walney Pigmalion, com um domínio sobre-humano da técnica e da ciência.

Ele é incapaz de aceitar viver sem a sua amada Piná Vênus.

Cinco anos depois, ela aparece na imprensa, namorando um astro de cinema de Hollywood, Robert Dandy.

Numa breve conversa com a atriz, vem a frustração, porque Piná não se interessa pelo maior projeto biotecnológico (num sentido bem particular) de Walney: o “Pinácia Avatar”.

A esta rejeição, ele reage arquitetando um plano perigoso: substituir a atriz real pela sua criatura “clonoide”.

Walney se fixa no desenvolvimento de seu projeto, com a ajuda de Astrilde, uma das suas primeiras criaturas.

Esta, por sua vez, nutre uma paixão impossível por ele, uma vez que, aí, existe um parentesco original.

Uma visão objetiva para a questão dos nomes dos personagens revela uma aproximação livre com outras obras de arte, tanto plásticas quanto literárias e cinematográficas.

O nome do protagonista tem pelo menos uma peculiaridade importante, ele faz referência ao mito de Pigmalião, de Ovídio, o qual, para E. H. Gombrich no livro ‘Arte e ilusão’ (SP, 1986), é “o mais famoso dos mitos que cristalizam a crença no poder da arte para criar em vez de retratar”.

Gombrich faz um resumo desse mito: “Pigmalião é um escultor, que deseja modelar uma figura de mulher a seu gosto e se apaixona pela estátua que fez.

Roga a Vênus que lhe dê uma noiva à sua imagem, e a deusa converte o frio marfim num corpo vivo.”

(p. 83) Mas o conto ‘O virtuose do virtual’ não faz uma simples adaptação contemporânea do mito de Ovídio, outros mitos mais recentes entram em relação de confusão semântica com o antigo.

Esta pequena confusão de sentidos e sensações cria dimensões mais profundas a esta ficção científica divertida.



De outro ponto de vista um tanto mais subjetivo, o amor apropriado e o amor perdido por Walney Pigmalion aparecem, simultaneamente, como a realização do seu grande amor impossível e, também, como a mera grande atualização de um amor virtual.

Esta leitura psicológica do conto de Mario donLeal, ‘O virtuose do virtual’, pode levar a consequências inesperadas, pois este protagonista é só um pouco mais do que um cientista maluco.

Ele reúne em si, mais do que parece à primeira vista, a razão da ciência e a loucura da ideia fixa; mas o leitor que chegar ao final do conto poderá experimentar uma ambiguidade entre ambas.

Walney, assim, vê a própria realidade através de sua percepção dos seus “clonoides”; enquanto isso, ele enxerga mera fumaça fantasmagórica na sua evidente percepção da realidade ao redor, desde o quarto até o porão.

Daí a força narrativa dessa pequena história, de escrita mesclada e divertida, mas que faz refletir e emocionar.

E aí está o fio condutor dessas obras reunidas: a confusão entre o objetivo e o subjetivo, tecendo a rede de prosa e poesia dessa ‘plaquette’ virtual.
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