Traços da Circulação do Pensamento: Sobre os Desafios da Filosofia pós-metafísica e pós-psicológica (1)

L.C. Vollet

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Logo abaixo disponibilizamos um breve resumo do livro Traços da Circulação do Pensamento: Sobre os Desafios da Filosofia pós-metafísica e pós-psicológica (1) para que você tenha uma idéia do assunto do qual ele trata. Se rolar a página você terá a oportunidade de fazer a leitura online.

O problema da circulação é uma tentativa de substituir o tema da origem.

Por isso mesmo, esse tema se inscreve nas camadas de discussão do problema a ser substituído.

(...) A questão da origem tem uma vocação intrinsecamente romântica, e isso se correlaciona com o fato de que renasce, periodicamente, em reação a alguma tecnicização muito vulgar da ideia de verdade e do acesso significativo ao mundo.(...) (...) em Husserl o enfoque na origem tenta se divorciar da psicologia e se transforma em um apelo ao enfoque dos resíduos fenomenológicos que prendem a representação a uma estratificação essencial, lastreando tanto a psicologia como a lógica em uma dimensão normativa nova.

Mas o seu aluno, Heidegger, fez um apelo crescente à exigência de retomar a questão do acesso – à verdade, ao mundo, ao texto – que se afasta da tendência à regulamentação analítica das teorias semânticas de sua época.

(...) Isso levou a um novo romantismo, o do homem pré-teórico e do filósofo capaz de reviver os assombros gregos, ou, simplesmente: do ser que é capaz de fazer a pergunta pela origem, colocando a si mesmo como novo início: o ser-aí.

O que se seguiu a isso foi, contudo, um conjunto de reflexões que culminariam na desconstrução da origem.

Mearleau Ponty, dilacerando por dentro a tradição fenomenológica, propôs uma interpretação da semiótica onde o potencial de alteridade e de diferença do signo, sua profundidade intensiva para produzir novos signos, não pode ser reduzido a um ponto de origem ou cordão umbilical primeiro: a intuição husserliana.

(…) O signo tornou-se, enfim, o composto da vida do pensamento: a moeda de sua circulação, o recurso de segurança para garantir um mínimo de informação quando toda ela não está disponível.

Apenas os estudantes de filosofia tem a oportunidade de lamentar ou comemorar o fim da metafísica; no dia a dia, a situação continua radical como antes: quem sabe mais, tem mais poder.

Nenhum saber é indiferente e abstrato.

(…).

Como a perspectiva do intérprete também parece nascer de uma ilusão de originalidade psicológica própria, a própria discussão sobre a Ideologia – em Althusser e Peuchêux – se tornou uma interrogação sobre as consagrações da metafísica nos seus pontos subjetivos autorais auto-imbuídos com a responsabilidade de manter o status quo das tradições e dos textos.

Enfim, a tendência à descentralização dos pontos acupunturais da sensibilidade foi uma crescente orquestrada também nas tradições semânticas e pós-positivistas, que chegaram a uma perplexidade parecida ao especular por um tema dessemelhante: acerca da sustentação dos recursos linguísticos capazes de distinguir entre o necessário e o contingente; (...) Os algoritmos, por fim, se tornam cada vez mais sistemas de informação que ligam diversos pontos de origem entre si em direção à otimização do conhecimento público.

Enquanto isso, surgem dúvidas inevitáveis sobre se há alternativas menos românticas, e, tampouco, técnicas ao humanismo.

A questão é delicada.

Como quer que tentemos respondê-la, parece que escorregamos para as classificações ortodoxas.

Em um avanço da filosofia que amadurece com rapidez a dissolução das origens, a pergunta que todos concorrem para responder é a de saber como as coisas humanas – o significado, o direito, e todas nossos seguros e fundamentos de confiança – entram e se mantém em circulação.

(…) O centro do pensamento cada vez mais se dissolve, desmentindo os moralistas e disciplinadores e confirmando profecias de um passado hegeliano que suspeitou – quando ainda era improvável – que a entrada no mundo era mais uma questão de circulação do que de subjetividade.

(…) Como nossa época existe nesse limbo de discussão, que não está resolvida, mais um livro sobre isso não pode ser (apenas) uma desnecessidade.

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