Tamũîa

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Tamũîa

Luciane Rinco

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Logo abaixo disponibilizamos um breve resumo do livro Tamũîa para que você tenha uma idéia do assunto do qual ele trata. Se rolar a página você terá a oportunidade de fazer a leitura online.

A.D. 1554
Pindorama
Colônia portuguesa da América
Província Jesuítica da Companhia de Jesus no Brasil
Litoral da Villa de São Vicente e Planalto de Piratininga

Akaûã, o Gavião, era um dos bravos.

Um gûarinĩ tupinikĩ, filho de Tupã, moldado por esse deus na argila mágica envolvida pelo sopro da vida.

Por isso, seu coração aguerrido nunca se acovardava.


Sempre vivaz, participava de todas as caçadas e, diversas vezes, acompanhava o pai, Ybytinga, braço direito de Tebiresá, em suas andanças pelo litoral até a Villa de São Vicente e mais além, enfurnando-se pelo interior, a caminho dos sertões.
Akaûã não gostava da intromissão estrangeira em seu meio, por causa dos abusos que presenciava frente à escravidão dos indígenas, perpetuados pelo capitão-mor e governador de São Vicente, Brás Cubas, com a ajuda de Ramalho, o odioso Karamuru.


Desde o início da colonização, a Coroa buscava a exploração das riquezas da colônia americana e, para isso, a mão-de-obra indígena, escrava e imediata, era a mais plausível.


Na Villa, o guerreiro foi testemunha da violência contra seu povo e, diversas vezes, para não causar um mal-estar ou um problema maior entre eles, Tebiresá, morubixaba gûaîanã dos tupinikĩs, chefe da aldeia de Inhapuambusú, nos campos de Piratininga, impediu-o de intervir.


Assim, sob o comando do morubixaba, Ybytinga ordenara que o filho e os outros gûarinĩs tupinikĩs fossem receptivos e, somente por isso, o kunumĩgûasu tolerava certa aproximação dos perós.
Akaûã não entendia o posicionamento do pai a favor de Tebiresá, e pelo respeito que devia aos mais velhos e à hierarquia consolidada pelo morubixaba, acatava suas decisões.


Até que conheceu Îagûanharõ, Cão Bravo, um feroz guerreiro Tamũîa tupinambá que o levou a acreditar que lutar contra o jugo estrangeiro era o correto a fazer, preservando assim sua herança biológica, cultural e social, transmitidas sabiamente a eles por seus antepassados.


Movido pela coragem e determinação, Akaûã trilhou seu caminho através de inusitadas alianças, em uma busca ferrenha por suas tradições, crenças e, sobretudo, sua liberdade...

O romance Tamũîa mostra uma concepção contemporânea das nossas origens, apresentando como cenário a história dos indígenas que resistiram ao jugo estrangeiro, e que fizeram parte da Confederação dos Tamoios, drama ocorrido no início do período colonial da história brasileira.
Em Tamũîa, as mensagens são claras e apontam para um único alvo:
O sentimento humano!

Após o seu epílogo, o romance apresenta um vocabulário quinhentista e seiscentista da Língua Tupi, pesquisado no brilhante e elaborado DICIONÁRIO DO TUPI ANTIGO: A LÍNGUA INDÍGENA CLÁSSICA DO BRASIL, compilado e organizado magistralmente pelo professor de Tupi Antigo da Universidade de São Paulo, Eduardo de Almeida Navarro, e seus colaboradores, prefaciado pelo imortal Ariano Suassuna e sua peculiar elegância.
Assim, as palavras em Tupi Antigo que surgem no decorrer da leitura do romance, causando dúvidas, poderão ser consultadas nesse glossário, para que seus significados se esclareçam, aprofundando o entendimento.


O Tupi Antigo, da família linguística tupi-guarani do tronco Tupi, foi a língua clássica geradora da língua falada em todo território brasileiro após os dois primeiros séculos do período colonial, contribuindo para a nossa notável identidade cultural.

Esta língua matriz deixou de ser falada no final do século XVII, ao tornar-se uma língua geral, através da contribuição das obras dos padres jesuítas e dos viajantes coloniais, e de sua difusão através da língua falada pelos conquistadores luso-brasileiros.


Assim, o Tupi Clássico foi permeando o nosso vocabulário, adequando-se às muitas mutações linguísticas em sua oralidade, originando milhares de palavras do nosso idioma, sendo usado até hoje, com tanta naturalidade que, mesmo sendo seus descendentes não nos damos conta de sua etimologia.

Esta é a minha história...




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