Literatura e ficção

Poças / Espelhos | Narrativas

Diego A. Molina

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Resumo do livro 🤔

Logo abaixo disponibilizamos um breve resumo do livro Poças / Espelhos | Narrativas para que você tenha uma idéia do assunto do qual ele trata. Se rolar a página você terá a oportunidade de fazer a leitura online.

Escrevi os contos deste volume ao longo de cinco anos em São Paulo.

Mas há mais de uma década que escrevo em português, que não é minha língua materna.

Pertenço ao grupo dos que andam pelas beiras e adivinham o centro.

Por exemplo, há uma linhagem de filósofos que admiro que foge da norma: Spinoza, Nietzsche e Cioran.

Este último, afirmava que “Não se habita um país, se habita uma língua.

Uma pátria é isso e nada mais!” Concordo plenamente com essa apreciação.

Sempre me senti atraído pelo que sai da curva.

Kafka é o grande exemplo disso.

Ele também optou por não escrever em sua língua materna, que era o tcheco.

Nem na língua paterna, que era o ídiche.

Escolheu uma terceira, o alemão.


Adquiri o português em duas etapas.

A primeira entre 2001 e 2004, quando minhas nasalizações me preocupavam mais do que as regências adverbiais.

Quis falar sem acento, isto é, emular o sotaque mais próximo ao de um nativo.

Certa vez, durante uma conversa de boteco, alguém que acabava de me conhecer, ao saber que eu era argentino, disse: “Puxa, mas você fala bem, pensei que era disléxico, mas não argentino!” Nunca soube se isso era um elogio ou uma surpresa exteriorizada sem filtros.

Essa sensação foi a mesma que tive pouco depois, de outra pessoa que acabava de me conhecer: “Mas você nem parece argentino!” Deixo para o leitor as implicações dessa frase.


A segunda fase começou quando entrei na USP, para fazer meu mestrado em Literatura Brasileira, em 2008.

A partir desse momento, preferi cuidar minha língua escrita, pois a falada já dissimulava minha origem.

Então entendi o abismo que se abria entre esses dois registros: a língua falada, ligada a uma tradição oral, muito presente na cultural popular brasileira, e a língua escrita, norma culta.

Isto é, entendi que no Brasil se fala de um jeito e se escreve de outro, apesar dos esforços de muitos escritores por diminuir essa diferença.

Essa distância me pareceu sempre marca de uma duplicidade que, de certo modo, compõe isso que chamamos, por falta de melhor nome, de brasilidade.

Talvez seja melhor falar em os Brasis, assim no plural.

Não podia ser de outra maneira para um país de tamanho continental.

Enquanto a América espanhola se dilacerava em diversas repúblicas incipientes, o Brasil permanecia unido por laços imaginários e econômicos, dando como resultado este gigante policéfalo que dorme em berço esplêndido.


Há nos meus relatos em português, quando vistos em conjunto, uma busca pela junção e, às vezes, pela interpolação de ambos os registros: o popular e o culto.

É nessa linha que trabalhei, e trabalho ainda, nesta língua riquíssima que poucos sabem, mas conta com mais vocábulos que o inglês e quase triplica o número de vocábulos do espanhol!


Nesta língua que habito espaçosamente, deixo por escrito que os contos “Horror vacui” e “A tristeza durará para sempre” foram finalistas do concurso de contos da Off Flip, nos anos de 2016 e 2017, e lá estão recolhidos nas antologias pertinentes.

O “Conto pós-policial”, que abre o livro, embora tenha a forma de um conto longo, é parte de um projeto de escrita maior, um romance polifônico que o contém, junto com outras vozes, intitulado Pós.

Por último, dois dos contos deste volume foram pensados primeiro como argumentos cinematográficos e escritos, depois, em forma de contos: “Passado remoto” e “Acaso o destino”.

Todos eles, porém, têm uma marca em comum: a busca (im)possível do narrador ou das personagens pelo revés do mistério ou pelo avesso do destino.

O leitor saberá escolher.

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