O DIA QUE O DIABO VEIO MORAR EM NOSSA RUA

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Literatura e ficção

O DIA QUE O DIABO VEIO MORAR EM NOSSA RUA

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Logo abaixo disponibilizamos um breve resumo do livro O DIA QUE O DIABO VEIO MORAR EM NOSSA RUA para que você tenha uma idéia do assunto do qual ele trata. Se rolar a página você terá a oportunidade de fazer a leitura online.

Por se sentir incapaz de reconhecer o tamanho dos seus tormentos, o homem não olha para traz quando toca o ápice de sua vida.

Ainda que retalhasse a sua túnica em vinte outros mantos, Abraão foi incapaz de juntar em seu halo de rei, os súditos mais afetivos.

Sob o princípio de agradar aos grandes e remediar os que estavam à sua volta, entregou o filho, Allen, a Getúlio, como presente de guerra.

Essa atitude, para sua esposa, Sarah, foi como um arado que esmagasse as flores à sua volta: a pérola que ela colhera para entregar à Diplomacia morreu asfixiada nos campos italianos.

O lago sentimental transbordou.

A água suja de mágoa foi perdendo o furor: Sarah perdeu todos os movimentos físicos, bem como a vontade de viver.

O tempo escorreu com a chuva sobre a estrutura do homem que se quisera perene.

Abraão ficou estático, impotente, diante da sua colheita.

As glórias que tanto cultivara para dar vida ao seu importante reinado, escorreram pelo ralo e o seu reino finou-se; o sangue e o ouro esvaíram-se, e a semente, plantada pelo autoritarismo, apodreceu debaixo da terra.


Abraão foi aquele desconhecido que chegou à cidadezinha do Rio Bonito, um lugar onde ninguém ia adiante, mas ele foi!

... E foi muito além: tornou-se milionário, numa terra de pobretões.

Em pouco tempo na cidade, sem um parente ou conhecido que aliviasse as suas dificuldades, acumulando uma riqueza tão precoce quanto inexplicável, ele teve de enfrentar uma legião de inimigos ferrenhos e invejosos.

Rápido e audacioso, logo, abraçou a outra parte – a que reconheceu nele o homem ousado, letrado, espírito político aguçado, afeiçoado às novas e pessoais ideias.

Se dois ou mais concidadãos estivessem reunidos, o nome de Abraão pairava, como uma sentença, e o assunto era sempre o pacto que ele teria selado com o Demônio.


Abraão, dito por ele mesmo, fez incautos desistirem da prosperidade, como ajudou alguns neófitos a enxergarem a luz; não foi hipócrita de dizer que sempre usou a boa-luz para se apossar das virtudes: usou de esperteza; trapaceou, e quem feio o olhou, ele furou os olhos; recorreu a violências aparentemente bisonhas, como soube ser cruel no ápice de suas defesas; mas soube ser a bússola, quando muitos perderam o rumo.

Ganhou muita batalha na justiça, graças ao dinheiro sujo passado de mão-em-mão; efetuou transações arriscadas, endividou-se; causou prejuízos, e perdeu muito dinheiro, quando quis abraçar a riqueza com os olhos e as mãos do universo.

Feriu, foi ferido, chantageou, foi chantageado, mas foi amigo, professor e sustentáculo de muitos.


Por um equívoco, uma decisão precipitada, Abraão mandou matar Adriano, o filho não reconhecido, que tivera com Carmem: a criança que ele arrancara das profundezas das águas, com misto de heroísmo e paixão.

Depois de receber das mãos da mãe do rapaz a lavra que ele pensara que estivesse extraviada, algumas manchas pretas de sua consciência foram se diluindo, mas não havia como apagar o desengano e a sordidez de sua atitude, para com a antiga empregada e para com o filho não reconhecido.

Sabia que tudo fora um erro de cálculo dos seus homens, pois o objetivo seria trazê-lo amarrado aos sacos de brilhante e humilhá-lo na frente de Alice, namorada de Adriano, por quem Abraão andava perdido de amores.

Crenças mortas surgiram das trevas para entrar em sua canção.

Um solene sentimento de morte floresceu na raiz de seu desengano, quando ele cedeu aos rogos para que se casasse com Alice, e deixasse fluir, então, uma nova-aurora em sua vida.

Aquele grito de amor nele já se calara; no máximo, ainda palpitava, mas no escuro.

Sua vida se fez noite; o sono murchara o sonho espesso diante da dor; o silêncio foi abaixando a cabeça para o remorso levando-o a fugir naquele navio em pleno deserto.

Abraão não teve como atravessar o deserto de sua ruína expondo totalmente a sua nudez.

O DIA EM QUE O DIABO... é um livro cáustico; apaixonante, cáustico e capaz de envolver o leitor, principalmente depois de concluída a leitura.

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