Logo abaixo disponibilizamos um breve resumo do livro Sem cuecas na gaveta para que você tenha uma idéia do assunto do qual ele trata. Se rolar a página você terá a oportunidade de fazer a leitura online.
“É hora de uma única voz se fazer valer neste emaranhado narrativo.
Apresentar a história de uma mulher somente por relatos de seus delírios é uma astúcia da narradora, mas não ajuda muito na fluidez do que é narrado.
Simular os escritos de Josefina e de Amélia já não esclarece a transparência dos fatos.
Não bastam os diversos gêneros da literatura – policial, psicológico, revolucionário, de amor, erótico, fantástico, abstrato, metafísico, exótico e outros que surgirem – para elucidar as vivências da personagem que se esbalda nas possibilidades.
Não são suficientes as categorizações e nem o desejo de se fazer verdadeira e original.
Portanto, sabedora de que ninguém suporta o que não seja original, a narradora evitou um romance enorme, laborioso, de uma única ideia, e que poderia afastar o leitor contemporâneo, educado por imagens e acostumado a obter as informações em poucos minutos no Google ou em outros sites de Internet.
Digo também que é uma forma de resistência, uma ironia positiva, ao mundo do mass-media e, principalmente, à desorganização e à inconsistência da linguagem, das imagens e do mundo.
Narrador-leitor sabe que o escrever breve é mais produtivo, do ponto de vista de formação de um leitor médio, do que romance com quinhentas páginas.
Josefina sempre dizia que o hábito da leitura se adquire lendo, por isso andava com jornais velhos debaixo do braço e dentro de uma sacola.
Leitor, não quero mais lhe cansar com a história de Josefina.
Embora, tenha que lhe contar que todas as personalidades de Josefina foram transformadas por mim em personagens do que é contado.
Acredito já ter dito isto antes e o reforço mais uma vez.
As personalidades de Josefina são reveladas quando de sua entrevista à jornalista da Rede Globo.”
“Ao reunir papéis velhos e mal cheirosos para compor a vida de tantas personagens, realizei alguns gestos necessários à boa ordenação dos fatos, das ideias e dos acontecimentos que se atropelavam como é atropelada a vida.
Que estes gestos tenham despertado uma lembrança sequer de algum leitor já valeu.
Perdoe-me se não fui precisa.
Eu precisava ser?
O vagão estava cheio, transbordando passageiros e semear páginas ao longo dos campos do Brasil não é crime cultural imperdoável, ainda.”
“Enxugue a sua lágrima, pois o que morre agora é o texto.
E os textos são passíveis de releitura, de revisão, de incorporação, de ampliação e por aí vai muito além daquilo que porventura se quis passar.
Sou autora e leitora, alma e movimento.
E a cada edição de um texto, quem dera o mesmo fosse alterado conforme a alteração íntima e a vontade de quem o escreveu.”
“Com base em minha experiência acadêmica e clínica, incluindo estudos de caso e entrevistas em profundidade, bem como sobre a agora extensa literatura crítica no campo da saúde mental, apresento-lhes o texto multifacetado da loucura humana, sem querer ser sexista, pois acredito ser a loucura a personagem central: a narradora e a autora do que lhes é contado.”
“Parece mentira, mas é tudo verdade.
O que soa como simulacro.”
Roland Barthes, em seu livro Aula, diz que todo texto literário é libertário, pois subverte a ordem da instituição mais repressora – a língua.
Tristão J. Macedo propõe com este texto um exercício de liberdade com os elementos narrativos, funde as histórias de suas personagens, tornando o que é contado inusitado e surpreendente.
O autor sabe da importância de se levar o leitor a sonhar e vivenciar uma experiência que ultrapassa o limite das instituições humanas.
A loucura, o delírio, a busca pela identidade na cidade grande são o mote para se dizer da linguagem na criação do texto artístico, que transforma quem narra e quem lê.
A presença de personagens femininas fortes e contundentes e não é à toa que a linguagem é feminina.
Tristão entrega aos leitores o seu primeiro romance.
Tristão J. Macedo nasceu em Formiga, Minas Gerais,em 1959, é professor de língua portuguesa da Rede Municipal de Belo Horizonte, ator e artista plástico.
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