Logo abaixo disponibilizamos um breve resumo do livro CLEPSYDRA para que você tenha uma idéia do assunto do qual ele trata. Se rolar a página você terá a oportunidade de fazer a leitura online.
Fernando Pessoa[Carta a Camilo Pessanha - 1915?]Ex.mo Senhor Dr. Camilo Pessanha, MacauHá anos que os poemas de V. Exa.
são muito conhecidos, e invariavelmente admirados, por toda Lisboa.
É para lamentar — e todos lamentam — que eles não estejam, pelo menos em parte, publicados.
Se estivessem inteiramente escondidos da publicidade, nas laudas ocultas dos seus cadernos, esta abstinência da publicidade seria, da parte de V. Exa., lamentável mas explicável.
O que se dá, porém, não se explica; visto que, sendo de todos mais ou menos conhecidos esses poemas, eles não se encontram acessíveis a um público maior e mais permanente na forma normal da letra redonda.É sobre este assunto que assumo a liberdade de escrever a V. Exa.
Decerto que V. Exa.
de mim não se recorda.
Duas vezes apenas falámos, no “Suíço”, e fui apresentado a V. Exa.
pelo general Henrique Rosa.
Logo da primeira vez que nos vimos, fez-me V. Exa.
a honra, e deu-me o prazer, de me recitar alguns poemas seus.
Guardo dessa hora espiritualizada uma religiosa recordação.
Obtive, depois, pelo Carlos Amaro, cópias de alguns desses poemas.
Hoje, sei-os de cor, aqueles cujas cópias tenho, e eles são para mim fonte continua de exaltação estética
Não escrevo estas coisas a V. Exa.
para seu mero agrado, adulando.
Elas são a expressão sincera do modo como sinto as composições a que me reporto.
Nem sequer cito este prazer, que os seus poemas me deram, com o restrito fim de apoiar em frases que possivelmente sensibilizem o pedido que venho fazer.
A ordem dos factos é outra: é porque muito admiro esses poemas, e porque muito lamento o seu actual carácter de inéditos (quando, aliás, correm, estropiados, de boca em boca nos cafés) a que ouso endereçar a V. Exa.
esta carta, com o pedido que contém
Sou um dos directores da revista trimestral de literatura “Orpheu”.
Não sei se V. Exa.
a conhece; é provável que a não conheça.
Terá talvez lido, casualmente, alguma das referências desagradáveis que a imprensa portuguesa nos tem feito.
Se assim é, é possível que essa notícia o tenha impressionado mal a nosso respeito, se bem que eu faça a V. Exa.
a justiça de acreditar que pouco deve orientar-se, salvo em sentido contrário, pela opinião dos meros jornalistas.
Resta explicar o que é “Orpheu”.
É uma revista, da qual saíram já dois números; é a única revista literária a valer que tem aparecido em Portugal, desde a “Revista de Portugal”, que foi dirigida por Eça de Queirós.
A nossa revista acolhe tudo quanto representa a arte avançada; assim é que temos publicado poemas e prosas que vão do ultra-simbolismo até ao futurismo.
Falar do nível que ela tem mantido será talvez inábil, e possivelmente desgracioso.
Mas o facto é que ela tem sabido irritar e enfurecer, o que, como V. Exa.
muito bem sabe, a mera banalidade nunca consegue que aconteça.
Os dois números não só se têm vendido, como se esgotaram, o primeiro deles no espaço inacreditável de três semanas.
Isto alguma coisa prova — atentas as condições artisticamente negativas do nosso meio — a favor do interesse que conseguimos despertar.
E serve ao mesmo tempo de explicação para o facto de não remeter a V. Exa.
os dois números dessa revista.
Caso seja possível arranjá-los, enviá-los-emos sem demora
O meu pedido — tenho, reparo agora, tardado a chegar a ele — é que V. Exa.
permitisse a inserção, em lugar de honra do terceiro número, de alguns dos seus admiráveis poemas.
Em geral publicamos em cada número bastante colaboração de cada autor, de modo que, apesar de a revista ter 80 páginas, os colaboradores de cada número não têm passado de 7 (8).
Isto é para indicar que sobremaneira estimaríamos que nos concedesse a honra de publicar umas dez a vinte páginas de sua colaboração.
Entre os poemas que era empenho nosso inserir contam-se os seguintes: “Violoncelos”, “Tatuagens”, “O Estilita” (só conheço, deste, o segundo soneto), “Castelo de Óbidos”, “O Tambor”, “Nocturno”, “Passeio no Jardim”, “Ao longe os barcos de flores”, ...
Aqui você tem a opção de ler online o livro, além de também comprar a versão de papel caso tenha interesse. Utilize o botão "LEIA AGORA" (que está abaixo da capa do livro 👇) ou clique direto na capa do livro abaixo para iniciar a leitura.
* Se você gostou, sugerimos que apoie o trabalho do autor e adquira o livro. Para isso, clique no botão comprar. Se curtiu a leitura, por favor, compartilhe.
Baixe aqui um apanhado geral sobre o livro CLEPSYDRA em PDF e distribua para quem você acha que gostaria de conhecer esta obra. O download está disponível para todos de forma gratuita.
Copie e cole o código abaixo (como HTML) no seu site/blog para inserir uma caixa que aponta para informações do livro:
Vai ficar assim:
Além deste livro que você está lendo, Camilo Pessanha tem outros 9 livros cadastrados conosco. Veja aqui os outros livros do(a) autor(a), exibidos por ordem de preferência dos usuários.
Separamos algumas categorias de livros gratuitos para que você possa baixar.
Conheça os pontos fundamentais para uma leitura eficiente, sem apelar para técnicas mágicas ou métodos extravagantes.
A ideia é ajudar você a refletir sobre o seu estilo de leitura e como é possível adaptá-lo para melhorar usando técnicas simples e de fácil aplicação.