Logo abaixo disponibilizamos um breve resumo do livro Cartas ao Tejo para que você tenha uma idéia do assunto do qual ele trata. Se rolar a página você terá a oportunidade de fazer a leitura online.
Nunca deixes para amanhã o que podes fazer hoje, porém, Júlia achava que o Universo não estava a conspirar a seu favor. Ela tinha dificuldades em encontrar a felicidade. Sua vida parecia não ter sentido, como um caminho pela metade.
Seria possível chegar a algum lugar sem completar o percurso? Haveria um atalho milagroso, que a permitiria alcançar rapidamente o fim de cada uma de suas jornadas?
Júlia saiu do Brasil, foi para Portugal, viveu na Guiné-Bissau. Encontrou o amor, mais de uma vez, nem sempre com o final feliz que desejou. Seus sentimentos eram escritos em cartas, algumas de amor, outras de dor. Ao reler algumas dessas cartas, lágrimas escorrem-lhe pela face e as memórias retornam trazendo saudade.
Conheceu pessoas, algumas entraram em sua vida, outras apenas passaram. Conheceu um homem que parecia viver como um eterno rio, sempre a seguir, mas sem nunca chegar a um oceano e libertar-se nas ondas e ao vento.
Júlia queria ser como um rio, mas queria alcançar o mar, queria superar a dor de seu coração e ser livre.
Cartas ao Tejo é sobre uma mulher que resolveu dar um primeiro passo e mudar de vida. É também uma história de como o Universo sempre conspira a nosso favor.
Trecho:
«A mulher caminha alguns passos até a poltrona junto a ampla janela, para o rio Tejo. Segura a xícara com ambas as mãos e sente o calor a aquecer os dedos frios. O inverno parece mais rigoroso este ano, mais vento, mais nuvens ou, talvez fosse o seu coração.Tudo lhe parece mais rigoroso naqueles dias. Lá fora o rio Tejo corre em direção ao mar, contrário ao que se passava no seu coração, estagnado no tempo.Respira fundo e desvia o olhar na direção do baú de metal. Era pintado de verde, com desenhos de linhas circulares em preto e branco, cheio de pintas amarelas, uma das coisas encontradas no Bandim em Bissau. A mulher desliza para o chão, para cima do tapete com padrões marroquinos, coloca a xícara no chão, junto ao sofá e passa a mão pelo tapete.— Tão perto! Tão longe! Você dizia que era persa. Não me pareceu ser - disse em voz alta.Agora dera para falar sozinha, responde uma voz em sua mente.— Lembro do dia que compramos. Dakar! Lembranças! Daria para escrever várias cartas com as lembranças desta vida. Um livro de cartas. Cartas e rascunhos.Ela sempre gostou de escrever e considerava charmoso enviar e receber cartas. E-mails? Em tempos de comunicação digital sempre utilizava, principalmente para o trabalho. Porém, o amor e a amizade, por vezes, merecem cartas, daquelas escritas à mão, dentro de um envelope, seladas e enviadas pelos correios, cartas esporádicas para não virarem piegas. Outra coisa, enviar sempre aos amigos bilhetes escritos à mão ou, se muito distantes, mensagens digitais de bons sentimentos e força.Lembrou da época em que os correios era mais do que um serviço especializado em encomendas, do tempo quando chegava uma carta que nos enchiam de emoção. Cartas alegres, cartas tristes, cartas de amor, cartas de adeus! Lembrou de quando recebeu uma única carta de adeus, mas essa não chegou através dos correios.Já das cartas que escreveu, de algumas guardou os rascunhos, de outras apenas guardou a lembrança no coração. Era certo que de poucas sabia de cor o que havia escrito, talvez as mais importantes fossem as que estavam vivas na escrita da sua alma. Cartas de pessoas queridas, cartas que voltaram, rascunhos, cartas que nunca foram enviadas, ali, guardadas naquele baú, mas também no coração, na mente, na sua alma.Sentada na sala, sobre o seu querido e falso tapete persa. Respira fundo a tomar coragem, passa as mãos pelos cabelos soltos a prende-los atrás das orelhas e depois, com as mãos livres, estica os braços e puxa o baú. Abre a caixa verde, o baú de recordações.»
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